segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Caravana de Bravos (Wagon Master, John Ford, Estados Unidos, 1950)

1950 foi mais um ano inspiradíssimo para Ford, uma vez que o diretor realizou no mesmo ano três belíssimos filmes (além deste, “When Willie Comes Marching Home” e “Rio Grande”, o melhor dos filmes da trilogia da cavalaria). Novamente, como em “3 Godfathers”, a história é uma alegoria bíblica, dessa vez a busca pela Terra Prometida. Ward Bond interpreta o líder de uma comunidade mórmon em deslocamento até um vale propício no qual se estabelecer. Em resposta a suas orações, Deus envia dois vendedores de cavalo, interpretados por Ben Johnson e Harry Carey Jr., que ajudarão a comunidade a atravessar o deserto até a Terra Prometida. Também como em “3 Godfathers”, o tom é de esperança, uma vez que a convivência dos mórmons com os diferentes grupos que se juntam à caravana (os vendedores de cavalo, a trupe de artistas mambembes, os bandidos Cleggs) é pacífica. Essa convivência com os diferentes, a propósito, gera grande parte do humor do filme, como na sequência em que o personagem de Carey diz algo como “isso aqui vai ficar quente como o inferno”, ao que é repreendido por um mórmon. Carey então responde: “inferno não é palavrão, é geografia”. A convivência é pacífica também com os índios Navajos com os quais a caravana cruza e aos quais se junta em uma festa. Até mesmo a convivência com os bandidos Cleggs é possível de ser pacífica, até o momento em que os bandidos resolvem roubar as sementes que, nas palavras do líder mórmon, “valem mais que ouro”. Nesse momento, os bandidos têm que ser eliminados, como serpentes (nas palavras do personagem de Johnson, sua arma só é usada para matar serpentes) que manchariam o paraíso da Terra Prometida.

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